sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Um poema de Drummond..


A CASA DO TEMPO PERDIDO

Bati no portão do tempo perdido,ninguém

atendeu.

Bati segunda vez e outra mais e mais outra.

Resposta nenhuma.

A casa do tempo perdido está coberta de hera

pela metade; a outra metade são cinzas.


Casa onde não mora ninguém, e eu batendo e

chamando

pela dor de chamar e não ser escutado.

Simplesmente bater. O eco devolve

minha ânsia de entreabrir esses paços gelados.

A noite e o dia se confundem no esperar,

no bater e bater.


O tempo perdido certamente não existe.

É o casarão vazio e condenado.

( Drummond em Farewell, 1996)


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